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DÍLI, 12 de março de 2026 (RAFA.tl) – O preço dos combustíveis está a aumentar em vários países do sudeste asiático, apesar da existência de reservas de maior ou menor dimensão, uma situação que está a preocupar os consumidores, mas que se deve a uma lógica económica básica.
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Na prática, o combustível em reserva não é vendido ao valor que custou, mas sim ao valor que se estima vai custar a substituir, dado o aumento verificado e previsto em novos carregamentos dos mercados fornecedores.
Esta dinâmica envolve, na atual situação, seis mecanismos que acabam por condicionar os preços para o consumidor, incluindo em Timor-Leste onde há reservas estimadas no país para cerca de quatro meses.
Um dos principais fatores é o preço de reposição. Os distribuidores precisam de vender o combustível atual a um preço que lhes permita comprar o próximo carregamento, que chegará a preços mais elevados. Vender barato agora significa ter prejuízo na reposição de stocks.
Igualmente a considerar está a questão da paridade com o Mercado Internacional, sendo que a maioria dos países do Sudeste Asiático fixa os preços nos postos de abastecimento com base nas cotações globais. Quando o Brent sobe, os preços locais sobem automaticamente, independentemente do custo dos stocks existentes.
No caso de Timor-Leste, por exemplo, a ETO uma das duas importadoras de combustível, procurou na semana passada tranquilizar os consumidores relativamente aos stocks existentes. O CEO da empresa, Nilton Gusmão, explicou que os combustíveis já no país, o carregamento que chegou no dia 09 de março e um outro previsto no início de abril, permitiam garantir stock para cerca de quatro meses. Ainda que, notou, o preço de venda ao consumidor dependeria do preço de mercado que é aplicado com base na bill of lading de cada carregamento.
A empresa acabou por ter de aumentar os preços na bomba quando o novo carregamento chegou, a 09 de março, visto o preço do combustível estar já a aumentar em todos os mercados.
No contexto atual, um dos principais fatores impulsionadores dos aumentos de pressão é o encerramento do Estreito de Ormuz, o que criou a expetativa nos mercados que os próximos carregamentos serão mais caros e mais lentos, o que tem impacto imediato nos preços atuais.
Em vários países outro dos fatores tem a ver com insuficientes reservas estratégicas: o Vietname tem menos de 20 dias; a Indonésia, entre 21 e 25 dias, por exemplo. Quando essas reservas se esgotam, os governos são forçados a comprar no mercado spot a preços de emergência — o que obriga a antecipar os aumentos.
Há ainda a considerar a especulação nos Mercados de Futuros, onde os investidores “incorporam” o risco de escassez nos preços dos contratos futuros, com o medo de uma crise – neste caso de duração ainda incerta – a poder acrescentar entre 10 e 30 dólares por barril em poucas horas.
Finalmente há ainda o chamado “efeito de leilão”. Quando o fornecimento global se reduz, os países mais ricos (como o Japão e a Coreia do Sul) pagam mais para garantir os seus carregamentos, deixando os países mais pobres sem alternativa que não seja também aumentar os preços para competir no mercado.
FIM
Escrito por RafaFM
mesmo quando os países têm reservas? Preço dos combustíveis – Porque sobem
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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