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Preço dos combustíveis disparam no sudeste asiático, 50% no Vietname e 33% no Laos

todayMarço 12, 2026 50 9 5

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DÍLI, 12 de março de 2026 (RAFA.tl – A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão está a fazer disparar os preços de combustíveis em todo o sudeste asiático, com os aumentos a chegarem aos quase 50% no Vietname e aos 33% no Laos, segundo dados atualizados dos mercados.

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Em Timor-Leste os aumentos rondaram os 9 a 10%, ainda assim um dos valores mais baixos da ASEAN, se excluídos os países onde os aumentos estão a ser absorvidos com subsídios do Estado, com significativo impacto orçamental.

Os dois importadores de combustível do país, a ETO e a PITSA (Pertamina International Timor) tiveram já de refletir os aumentos nos preços.

O país é especialmente vulnerável a crises como a atual, já que 100% do combustível é importado, sem qualquer produção local de refinação, não existem mecanismos de controlo de preços nem subsídios ao consumidor final e não existe um fundo de estabilização de preços dos combustíveis.

Em vários países da região a situação é mais dramática.

O Vietname, por exemplo, registou o maior aumento de preços de combustível do mundo neste período, com uma subida de quase 50% em menos de duas semanas. A gasolina passou de 0,75 dólares por litro (em 23 de fevereiro) para 1,13 dólares a 9 de março – um aumento de 49,73%.

A vulnerabilidade do país é estrutural, já que 87% da sua importação de petróleo bruto vem do Golfo Pérsico, e as reservas nacionais não chegam para 20 dias.

O governo reagiu com medidas de emergência: reduziu as tarifas de importação de combustível para zero (anteriormente eram de entre 7% e 10%), utilizou o Fundo de Estabilização de Preços (4.000 dong por litro) e criou uma força-tarefa nacional de segurança energética.

O Laos e Camboja estão entre os mais atingidos da região. Apesar da situação nos países ser menos mediatizada, Laos e Camboja registaram os segundo e terceiro maiores aumentos globais neste período: a gasolina no Laos subiu 32,94% e no Camboja 19,03%. Ambos os países têm reservas de apenas cerca de 21 dias e carecem de mecanismos de estabilização de preços robustos.

A Indonésia, por seu lado, está a tentar proteger os consumidores através de um sistema de subsídios do Estado. A gasolina subsidiada Pertalite mantém-se a 10.000 rupias por litro e o gasóleo subsidiado a 6.800 rupias. Mas esta proteção tem um custo significativo, já que por cada dólar de subida no preço do petróleo, o orçamento nacional perde até 4 mil milhões de rupias (cerca de 235 milhões de euros).

Só este ano, o orçamento de subsídios energéticos já totaliza 381,3 mil milhões de rupias (cerca de 22,5 mil milhões de dólares). O governo está já a estudar a recuperação do programa B50 (mistura de 50% de biodiesel com palma) e equaciona suspender exportações de combustível.

A vizinha Malásia mantém um sistema de preços a dois níveis, com o combustível subsidiado “Budi95” fixado em 1,99 ringits por litro para cidadãos elegíveis. Já o RON95 a preço de mercado atingiu os 2,65 ringits, com o governo – através da Petronas – a absorver a diferença crescente, com a ‘fatura’ para os cofres de Estado a aumentar diariamente.

A Tailândia é particularmente vulnerável porque 74% do seu petróleo vem do Golfo Pérsico e depende fortemente do mercado spot de GNL. O governo fixou o gasóleo a 29,94 baht por litro durante 15 dias, mas esta medida está a custar ao Fundo Nacional de Combustíveis 700 milhões de baht (32 milhões de dólares) por dia.

Foram também proibidos as exportações de produtos petrolíferos e o uso de veículos governamentais não essenciais. O país reportou filas nos postos de abastecimento e compras por pânico.

Especialistas consideram que a situação atual reflete não apenas uma crise de preços, mas sim um teste ao modelo energético de toda a região. A maioria dos países da ASEAN nunca investiu adequadamente em reservas estratégicas, diversificação de fornecedores ou transição para energias renováveis. A guerra no Irão está a revelar essa fragilidade estrutural com brutalidade.

Caso a crise no Médio Oriente se prolongue o impacto nos preços dos combustíveis deverá continuar a sentir-se.

FIM

Escrito por RafaFM

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