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DÍLI, 24 de março de 2026 (RAFA.tl) – Os mercados petrolíferos viveram nas últimas 24 horas mais uma jornada de volatilidade extrema, com o Brent a superar os 113 dólares por barril, o valor mais elevado desde 2022, antes de recuar cerca de 11%, para perto dos 110 dólares.
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A volatilidade, que se alargou aos mercados – com subidas no arranque das negociações na Ásia e Austrália – ocorreu depois do Presidente norte-americano Donald Trump anunciar que os Estados Unidos e o Irão tiveram “conversações muito boas e produtivas” durante o fim-de-semana sobre uma resolução total das hostilidades no Médio Oriente.
O anúncio de Trump surgiu poucas horas antes de expirar um ultimato que ele próprio tinha anunciado no sábado, quando ameaçou “obliterar” as centrais elétricas iranianas se Teerão não reabrisse o Estreito de Ormuz.
O Corpo dos Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) respondeu que, se os EUA atacassem a sua rede elétrica, fariam o mesmo, e que o Estreito permaneceria fechado indefinidamente.
Trump acabou por recuar, ordenando ao Departamento de Defesa que suspendesse quaisquer ataques a infraestruturas energéticas iranianas por um período de cinco dias, ficando a continuidade da trégua sujeita ao progresso das negociações.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano negou, porém, a existência de qualquer diálogo direto com Washington, com o Presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, a classificar os relatos de negociações como “notícias falsas destinadas a manipular os mercados financeiros e petrolíferos.”
O conflito, que está agora no seu quarto semana, teve início a 28 de fevereiro com ataques surpresa conjuntos dos EUA e de Israel ao Irão.
Desde então, Teerão bloqueou o Estreito de Ormuz, pelo qual passa normalmente cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo.
O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou esta segunda-feira que a situação é “muito grave” e pior do que os dois choques petrolíferos da década de 1970 somados, tendo pelo menos 40 instalações energéticas em nove países sido gravemente danificadas no conflito.
“Nenhum país será imune aos efeitos desta crise se ela continuar nesta direção”, disse Birol. Os países membros da AIE já tinham acordado, a 11 de março, a libertação histórica de 400 milhões de barris das suas reservas estratégicas para amortecer o choque.
O Sudeste Asiático está na linha da frente desta crise energética, dada a sua dependência estrutural do petróleo do Golfo Pérsico.
Cerca de 80% das importações asiáticas de petróleo passam pelo Estreito de Ormuz. O Vietname tem uma das reservas energéticas mais escassas da região, estimadas em menos de 20 dias, enquanto a Indonésia e o Paquistão mantêm reservas de cerca de 20 dias.
As Filipinas importam 96% do seu petróleo do Golfo, enquanto o Vietname e a Tailândia adquirem, respetivamente, cerca de 87% e 74% do crude naquela região.
Os governos da região responderam com medidas de emergência: as Filipinas adotaram uma semana de quatro dias úteis para funcionários públicos, a Tailândia e o Vietname incentivaram o teletrabalho, e o governo do Myanmar impôs dias alternados de circulação automóvel.
A Tailândia introduziu um teto temporário ao preço do gasóleo, enquanto o Vietname recorreu ao seu fundo de estabilização dos preços dos combustíveis.
A Indonésia, o maior país da região, enfrenta um dilema particularmente agudo: o orçamento de 2026 previa um preço de 70 dólares por barril, mas o crude situa-se agora perto dos 100 dólares.
O governo mantém subsídios generosos aos combustíveis – avaliados em 22,5 mil milhões de dólares – que representam 30 a 40% do preço da gasolina e do gasóleo para os consumidores, mas já admite que o défice orçamental poderá ultrapassar o limite legal de 3% do PIB se a crise se prolongar.
A perspetiva de crises políticas preocupa também os analistas: em vários países do Sul e do Sudeste Asiático, os aumentos dos preços dos combustíveis desencadearam no passado protestos de rua de grande dimensão, e os governos da região estão a tentar prevenir esse cenário através de subsídios que, por definição, não são sustentáveis a prazo.
Os mercados financeiros asiáticos já tinham incorporado grande parte destas tensões antes do anúncio de segunda-feira. As bolsas fecharam com perdas significativas – a sul-coreana Kospi caiu 6,5%, a de Hong Kong 3,8%, e a japonesa Nikkei 3,5% – antes de recuperarem parcialmente após as declarações de Trump.
Analistas alertam, no entanto, que a volatilidade está longe de terminar.
O Estreito de Ormuz permanece praticamente encerrado ao tráfego comercial, e o Irão tem permitido a passagem apenas a navios de países que considera neutros ou amigos no conflito.
O Goldman Sachs elevou as suas previsões para o Brent, esperando uma média de 110 dólares em março e abril, e alertando que, caso os fluxos pelo Estreito se mantenham em apenas 5% do normal durante dez semanas, os preços poderão superar o recorde histórico de 2008.
FIM
Escrito por RafaFM
mas volatilidade mantém-se com Estreito de Ormuz fechado Preço do crude recua mais de 11%
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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