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Vaticano, 10 de abril 2026 (RAFA.tl) – O primeiro papa americano da história, Leão XIV, poderá não visitar o seu país natal enquanto Donald Trump for presidente, depois de um confronto diplomático sem precedentes entre altos funcionários do Pentágono e um representante da Santa Sé, segundo a Free Press.
Notícias publicadas pela Free Press e pelo jornal The Independent, referem que a tensão ocorreu em janeiro, numa reunião durante a qual os Estados Unidos terão advertido a Igreja Católica para se alinhar com a administração Trump – chegando a invocar o Papado de Avinhão, quando a monarquia francesa controlou militarmente o papado no século XIV.
As alegações, reveladas pelo jornalista Mattia Ferraresi, radicado em Roma, na publicação The Free Press, e independentemente corroboradas pelo repórter Christopher Hale, centram-se numa reunião no Pentágono entre o Subsecretário de Defesa para a Política Elbridge Colby e o Cardeal Christophe Pierre, que à época servia como embaixador da Santa Sé em Washington.
Colby terá dito a Pierre que “os Estados Unidos têm o poder militar para fazer o que quiserem no mundo”, acrescentando que “é melhor que a Igreja Católica tome o partido” de Washington.
A alegada confrontação terá sido uma reação direta ao discurso anual do Papa Leão XIV ao corpo diplomático do Vaticano, proferido a 9 de janeiro de 2026.
O Pentágono leu uma passagem em particular como um ataque frontal à chamada “Doutrina Donroe” – a afirmação da administração de domínio americano incontestado sobre o hemisfério ocidental.
“Uma diplomacia que promove o diálogo e procura o consenso entre todas as partes está a ser substituída por uma diplomacia baseada na força, por indivíduos ou grupos de aliados”, disse na altura o pontífice.
O momento mais perturbador da reunião, segundo os dois jornais, terá sido a invocação de um episódio medieval, em concreto a alegada referência ao Papado de Avinhão.
Durante o século XIV, a coroa francesa usou a força militar para dobrar a Igreja Católica, pressionando o Papa Clemente V a relocalizar o papado de Roma para Avinhão em 1309, mantendo-o sob influência francesa durante quase sete décadas.
Um funcionário americano presente na reunião de janeiro terá levantado este precedente quando a troca de palavras se tornou tensa, referem os artigos.
O Pentágono confirmou que a reunião teve lugar a 22 de janeiro de 2026, mas rejeitou as sugestões de tensão, descrevendo-a como “substancial, respeitosa e profissional”.
“A caracterização do The Free Press da reunião é altamente exagerada e distorcida”, disse um porta-voz ao Newsweek. “A reunião entre funcionários do Pentágono e do Vaticano foi uma discussão respeitosa e razoável. Temos o mais alto apreço e bem-vindos ao diálogo contínuo com a Santa Sé”, afirmou.
A Casa Branca convidou Leão XIV a regressar ao seu país natal e a celebrar o 250º aniversário da América na Casa Branca este verão, mas o papa recusou.
O Vaticano considerou o convite, mas decidiu não fazer a viagem devido a “uma mistura de desacordos de política externa, a oposição cada vez mais vocal dos bispos americanos à política de imigração de Trump, e uma relutância em tornar-se uma peça de barganha política nas eleições intercalares de 2026”.
Em vez disso, o Papa, de 10 anos e natural de Chicago, passará o 4 de Julho – 250º aniversário da independência americana – na ilha mediterrânica de Lampedusa, ponto de chegada de migrantes norte-africanos que atravessam o Mediterrâneo.
“A administração tentou todas as formas possíveis de ter o Papa nos EUA em 2026”, disse um responsável do Vaticano disse à The Free Press.
“O Papa pode muito bem nunca visitar os Estados Unidos durante esta administração”, disse outro.
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Escrito por RafaFM
Papa recusa visitar os EUA após alegada tensão diplomática sem precedentes – media
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