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Países asiáticos regressam ao carvão perante colapso de importações de GNL

todayMarço 17, 2026 21

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DÍLI, 18 de março de 2026 (RAFA.tl) – Empresas fornecedoras de energia na Ásia estão a aumentar a produção de eletricidade a partir do carvão – reduzindo custos e salvaguardando a segurança do abastecimento, devido ao estrangulamento do fornecimento de gás natural liquefeito (GNL).

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Devido aos efeitos da guerra EUA-Israel contra o Irão, o fornecimento de GNL está fortemente condicionado, com os preços spot na Ásia a duplicarem, atingindo máximos de três anos, num segundo grande choque de oferta em apenas quatro anos.

A imprensa regional nota que o Qatar, segundo maior exportador mundial de GNL, interrompeu os envios após ataques de drones iranianos às suas instalações energéticas em Ras Laffan e Mesaieed, operadas pela estatal QatarEnergy.

Dados da Euronews recordam que mais de 80% do GNL que atravessou o Estreito de Ormuz em 2024 tinha como destino mercados asiáticos.

A situação está a condicionar a produção de energia em vários países, com o Bangladesh e o Paquistão a aumentar o uso do carvão, procurando assim capitalizar em fontes internas.

“Com a redução da geração a GNL, as centrais que funcionam com carvão extraído localmente poderão produzir mais durante as horas de menor procura”, afirmou o ministro da Energia, Awais Leghari, citado no South China Morning Post.

Nas Filipinas, a produção de eletricidade a partir de carvão também está a ser incrementada, com cortes simultâneos na produção a GNL.

O Vietname, através da sua empresa pública de eletricidade EVN, comunicou estar a negociar o fornecimento de carvão, enquanto a Tailândia está a aumentar a geração na sua maior central a carvão com o objetivo de preservar as reservas de GNL.

Na Ásia Oriental, a Coreia do Sul planeia eliminar os tetos impostos à produção de eletricidade a partir do carvão e aumentar a geração nuclear. A JERA, a maior empresa de serviços públicos de energia do Japão, comunicou que manterá as suas centrais a carvão em níveis elevados de utilização.

O conflito está a desencadear aquilo que analistas e responsáveis do sector denominam destruição de procura (demand destruction) de GNL em toda a Ásia – com preços que deverão manter-se elevados e voláteis mesmo após o fim da crise.

A consultora Wood Mackenzie reduziu a sua previsão anual de importações asiáticas de GNL de 12,4 milhões de toneladas para cerca de 5 milhões de toneladas, partindo do pressuposto de uma perturbação de dois meses no abastecimento proveniente do Médio Oriente.

Dado que a maioria dos contratos de GNL está indexada aos preços do petróleo com um desfasamento de três meses, os compradores asiáticos começarão a pagar mais a partir de Junho, segundo a mesma consultora.

Os custos elevados do GNL têm consequências particularmente gravosas para os países em desenvolvimento. O Global Energy Monitor alertou, num relatório recente, que 107 mil milhões de dólares em investimentos em infraestruturas de importação de GNL no Sul da Ásia poderão estar em risco, na sequência de cancelamentos ou atrasos generalizados em projetos propostos.

Aziz Khan, presidente do Summit Group do Bangladesh – que detém uma unidade de regaseificação de GNL —, foi contundente na avaliação:

O índice de referência asiático do carvão térmico registou uma subida de 13,2% no presente mês. Na Europa, os futuros de carvão subiram 14,2%, com os analistas da Kpler a anteciparem um aumento de 36% nas importações de carvão térmico pela União Europeia – para 30 milhões de toneladas – este ano, em consequência dos baixos níveis de reservas de gás.

Ainda assim, esta valorização é modesta quando comparada com a escalada dos preços globais do GNL. O impacto sobre as importações de carvão deverá, por ora, permanecer contido, uma vez que as principais economias importadoras asiáticas – China, Índia, Japão e Coreia do Sul – dispõem de stocks de carvão abundantes e beneficiam de contratos de fornecimento de longo prazo que garantem o abastecimento.

Num contexto em que os combustíveis fósseis importados se revelam cada vez mais vulneráveis a choques geopolíticos, os analistas sublinham que estes episódios reforçam a argumentação a favor das energias renováveis.

FIM

Escrito por RafaFM

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