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Ilhas Marshall declaram emergência económica devido à crise de combustível

todayMarço 31, 2026

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DÍLI, 31 de março de 2026 (RAFA.tl) – As Ilhas Marshall declararam um estado de emergência económica de 90 dias em resposta à crise de combustível desencadeada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

A medida, formalizada através de uma ordem executiva assinada pela Presidente Hilda Heine, torna o arquipélago do Pacífico num dos territórios insulares mais afetados pelo conflito, que desde o início de março bloqueou o Estreito de Ormuz e paralisou cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo.

A imprensa local explica que a ordem executiva da Presidente Heine reconhece que o impacto do conflito no aumento dos preços do combustível acaba por afetar todas as outras mercadorias importadas pelo arquipélago.

“Como nação que depende fortemente de combustível, alimentos, materiais de construção e outros fornecimentos essenciais importados, estes aumentos representam um risco sério para os meios de subsistência da população”, afirmou o gabinete da Presidente.

A vulnerabilidade das Ilhas Marshall à crise não é nova.

Como outros países insulares do Pacífico, as Ilhas Marshall sofrem de preços de combustível elevados e voláteis, não dispondo de quaisquer reservas conhecidas de combustíveis fósseis no seu território.

Já em 2008, após uma subida abrupta dos preços do combustível, o governo das Ilhas Marshall tinha declarado um estado de emergência económica, o que levou à expansão das energias renováveis, em particular da energia solar, como alternativa ao diesel.

Nos termos da ordem executiva, será criado um Comité de Coordenação da Recuperação, uma subcomissão do Conselho Nacional de Catástrofes, responsável por monitorizar regularmente os impactos da crise e propor medidas.

Todos os ministérios, departamentos e agências do governo deverão cooperar num Plano de Resposta aprovado pelo Conselho de Ministros, que incluirá medidas de poupança de energia e gestão do consumo de combustível.

O governo já tomou medidas imediatas para aliviar a pressão sobre as famílias.

O parlamento aprovou legislação que reduz o imposto sobre o rendimento para todos os trabalhadores no país, isentando de retenção na fonte os primeiros 8.320 dólares de salário anual – o que representa mais de 600 dólares adicionais de rendimento líquido por ano para quem aufere esse montante ou mais.

A medida, introduzida e aprovada no mesmo dia pelo ministro das Finanças David Paul, deverá resultar numa redução de cerca de 3,1 milhões de dólares nas receitas fiscais ao longo dos próximos seis meses.

As Ilhas Marshall não são os únicos países a sentir o efeito da crise de combustíveis.

Os pequenos Estados insulares em desenvolvimento estão entre os que mais dependem de combustível importado e são, por isso, os mais vulneráveis na região.

As importações líquidas de petróleo e gás representam geralmente entre 5 e 15% do PIB nos países insulares do Pacífico.

Saul Kanovic, analista do sector energético da MST Financial em Sydney, alertou em declarações citadas pela imprensa australiana que “a ameaça é severa”, podendo ser a maior crise desde a década de 1970.

O analista sublinhou ainda que os países mais isolados, com economias menos diversificadas, ficam mais expostos a estes choques de preços, tanto pelos custos diretos do combustível como pelo aumento dos prémios de seguro marítimo.

As Ilhas Marshall juntam-se assim a uma lista crescente de países que declararam estados de emergência ou de alerta relacionados com a crise energética.

As Filipinas foram o primeiro país do mundo a declarar uma emergência energética nacional, a 24 de março, dado que importam 98% do seu petróleo do Médio Oriente.

Países como Zimbabwe, Paquistão, Bangladesh, Nigéria e Vietname enfrentam igualmente graves escassez de combustível.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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