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Guerra contra o Irão pode travar crescimento económico na Ásia e Pacífico segundo o BAD

todayMarço 31, 2026 35

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Díli, 31 de março de 2026 (RAFA.tl) – A Guerra dos Estados Unidos contra o Irão poderá reduzir o crescimento económico dos países da Ásia em desenvolvimento e do Pacífico em até 1,3 pontos percentuais entre 2026 e 2027, segundo um estudo do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB).

O estudo considera que o conflito pode fazer disparar a inflação em 3,2 pontos percentuais caso as perturbações nos mercados energéticos se prolonguem por mais de um ano.

Apesar dos impactos serem transversais a várias economias, o BAD aponta o grupo de países em desenvolvimento na região, que inclui Timor-Leste, como os que podem sentir os efeitos adversos no crescimento, com pressões acrescidas via preços da energia, perturbações nas cadeias de abastecimento e condições financeiras mais restritivas.

Na sua análise o banco sublinha que apesar da região ter uma exposição comercial direta limitada ao Médio Oriente, permanece altamente vulnerável devido à sua dependência de energia importada e à sua integração nas cadeias de abastecimento globais.

O ADB identificou três cenários de risco, mostrando que o impacto nas economias em desenvolvimento da região dependerá sobretudo da duração das perturbações.

No cenário mais grave – com disrupções severas a estenderem-se até ao final de fevereiro de 2027 – os preços do petróleo poderiam ultrapassar os 155 dólares por barril no segundo trimestre de 2026, aproximando-se dos níveis registados após a intervenção militar da Rússia na Ucrânia.

Os impactos negativos no crescimento deverão ser mais severos nas economias do Sudeste Asiático e do Pacífico em desenvolvimento, enquanto a inflação deverá subir mais acentuadamente nas economias do Sul da Ásia.

As economias mais pequenas e dependentes de importações de combustíveis fósseis serão ainda mais vulneráveis. Países como o Paquistão, o Sri Lanka e a Tailândia dependem fortemente de energia importada, e a subida dos preços do petróleo pode rapidamente traduzir-se em maior inflação e pressão sobre as contas correntes e as taxas de câmbio.

Para além da energia, as condições financeiras na Ásia e no Pacífico já se tornaram mais restritivas desde o início do conflito, com quedas nos mercados acionistas e subida das yields obrigacionistas.

O economista-chefe do ADB, Albert Park, advertiu que perturbações energéticas prolongadas podem forçar as economias em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico a confrontarem-se com uma difícil escolha entre crescimento mais fraco e inflação mais elevada.

O estudo formula quatro recomendações de política económica, incluindo permitir a transmissão dos preços da energia aos consumidores para encorajar a poupança e a diversificação energética.

Concentrar o apoio fiscal nos agregados familiares mais vulneráveis, de forma temporária e bem dirigida é outras das medidas sugeridas, segundo o BAD, que considera que os bancos centrais devem priorizar a limitação da volatilidade excessiva do mercado, mantendo a atenção focada nas expectativas de inflação.

Aos governos recomenda a adoção de medidas práticas de redução do consumo energético, como limites de temperatura no ar condicionado, cortes na iluminação não essencial, campanhas de poupança de energia nas horas de ponta e incentivos ao uso de transportes públicos.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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