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ETO rejeita acusações de manipulação de preços, recorda subida global do preço dos combustíveis

todayMarço 17, 2026 148 11 5

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DÍLI, 17 de março de 2026 (RAFA.tl) – O diretor executivo da ETO, Nilton Telmo Gusmão dos Santos, rejeitou hoje acusações de manipulação de preços no mercado de combustíveis em Timor-Leste, assegurando que a empresa está condicionada pela evolução dos preços internacionais, procurando manter reservas suficientes para garantir o abastecimento no país.

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“Não existe qualquer manipulação. O que estamos a ver é um aumento global dos preços, e Timor-Leste não está isolado dessa realidade”, afirmou o responsável, sublinhando que a empresa mantém stock suficiente para cerca de quatro meses, entre reservas já no país, carregamentos recentes e previstos.

O responsável da ETO – uma das duas empresas importadoras de combustíveis para Timor-Leste destacou ainda que vários países do Sudeste Asiático registaram aumentos muito superiores aos verificados em Timor-Leste.

Dados regionais mostram que os preços dos combustíveis aumentaram mais de 50% no Vietname e cerca de 33% no Laos desde o início da recente crise energética internacional. Em média, e segundo os dados mais recentes, o preço dos combustíveis no sudeste asiático cresceram entre 20 e 30%.

“Quando olhamos para a região, percebemos que Timor-Leste não é uma exceção. O aumento está a acontecer em praticamente todos os países”, afirmou Nilton Telmo Gusmão dos Santos.

As exceções a estes aumentos ocorrem em países onde o Estado intervém diretamente, através de subsídios ou controlo de preços. No entanto, essas medidas implicam custos elevados para os orçamentos públicos, muitas vezes difíceis de sustentar a longo prazo.

Na Indonésia, por exemplo, a proteção do Estado aos preços implica que por cada dólar de subida no preço internacional do petróleo, o orçamento nacional perde até 4 biliões de rupias (cerca de 235 milhões de euros). Para 2026, o orçamento de subsídios energéticos já totaliza 381,3 biliões de rupias (cerca de 22,5 mil milhões de dólares).

Os comentários de Nilton Gumão dos Santos surgem na sequência de declarações da oposição no Parlamento Nacional timorense, com um deputado da Fretilin a acusar a ETO de manipulação de preços de combustíveis.

“A Fretilin considera que, quando a ETO afirma que as suas reservas de combustível podem durar quatro meses, isso significa que, durante esse período, o preço do combustível não deveria aumentar nem um cêntimo. Isto porque a segurança energética não diz respeito apenas à disponibilidade de combustível, mas também à manutenção de preços estáveis, iguais aos praticados antes da crise”, disse o deputado José da Cruz no Parlamento Nacional,

Especialistas recordam que a existência de reservas num país não implica que os preços não subam, um fenómeno normal que segue uma lógica económica comum no setor energético.

Mesmo quando o combustível já está armazenado, ele não é vendido ao preço antigo, mas sim ao preço necessário para garantir a reposição futura dos stocks. Ou seja, as empresas precisam de vender hoje a um valor que permita comprar o próximo carregamento, que já será mais caro.

Este mecanismo – conhecido como preço de reposição – é um dos principais fatores que explicam a subida dos preços. Se o combustível fosse vendido ao preço antigo, as importadoras não conseguiriam adquirir novos carregamentos sem prejuízo.

Além disso, os preços seguem a chamada paridade com o mercado internacional, o que significa que acompanham automaticamente a evolução do petróleo e dos combustíveis refinados nos mercados globais, independentemente do custo do stock existente.

A isto juntam-se outros fatores, como o aumento do risco nas rotas marítimas (nomeadamente no Médio Oriente), a subida dos custos de transporte e seguros, a especulação nos mercados internacionais e a concorrência entre países para garantir fornecimentos.

Nilton Gusmão recordou que a ETO já tinha antecipado a situação no início de março, quando assegurou a chegada de um novo carregamento no dia 9 de março, precisamente para reforçar as reservas nacionais.

Contudo, esse carregamento já foi adquirido num contexto de subida dos preços internacionais, o que obrigou a ajustar os preços no mercado interno.

Além disso, está previsto um novo carregamento no início de abril, que deverá chegar ainda com preços elevados, refletindo a continuidade da instabilidade global.

A mesma situação afeta igualmente os fornecimentos da Pertamina Internacional, a outra importadora de combustíveis, que confirmou novos carregamentos no início de março e outro previsto para o final do mês, igualmente sujeitos às novas condições do mercado internacional.

Perante este cenário, Nilton Telmo  Gusmão  dos Santos defende que a prioridade, neste momento, é garantir que o país não enfrenta escassez de combustível.

“O mais importante é assegurar que Timor-Leste continua abastecido. Num contexto destes, garantir fornecimento contínuo já é um desafio logístico e financeiro significativo”, afirmou.

O responsável reiterou que a ETO continuará a trabalhar com fornecedores internacionais para garantir novos carregamentos, mesmo com preços mais elevados, sublinhando que a estabilidade do abastecimento depende dessa capacidade de resposta num mercado global cada vez mais volátil.

FIM

Escrito por RafaFM

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