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O governo do estado australiano de Nova Gales do Sul está a defender a implementação de protocolos de emergência semelhantes aos adotados durante a pandemia de Covid-19 para fazer face à escassez de combustível que está a paralisar o estado.
DÍLI, 24 de março de 2026 (RAFA.tl) – O Governo do estado australiano de Nova Gales do Sul, defendeu hoje a introdução de protocolos de emergência semelhantes aos adotados durante a pandemia da Covid-19 para gerir a escassez de combustível que está a paralisar o estado.
Chris Minns, chefe do Governo de NSW disse que as medidas deveriam incluir sistemas de distribuição prioritária, restrições de compra e coordenação centralizada entre distribuidores, retalhistas e governo.
Minns confirmou que 105 postos de combustíveis estão sem gasóleo no estado, “quase exclusivamente nas regiões” interiores, e que 35 “não têm acesso a nenhum tipo de combustível”.
A dimensão do problema estende-se muito além de Nova Gales do Sul.
A última contagem nacional aponta para mais de 250 postos de abastecimento sem pelo menos um tipo de combustível em três estados: em Queensland, 47 postos estão sem gasóleo e 32 sem gasolina e em Vitória, 109 postos estão sem pelo menos um tipo de combustível, incluindo 50 sem gasóleo.
O ministro federal da Energia, Chris Bowen, admitiu no Parlamento ter participado em “planeamento de contingência prudente” que incluiu cenários de racionamento formal – embora tenha sublinhado que essa medida extrema está ainda “muito longe”.
O colapso no abastecimento resulta de três fatores que convergiram em simultâneo: compras em pânico que dobraram a procura normal em apenas dez dias, o cancelamento de seis navios-tanque com destino à Austrália por parte de fornecedores asiáticos, e o bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, que cortou 20% da capacidade global de fornecimento de petróleo.
A Austrália importa 80% do seu combustível refinado de refinarias asiáticas – sobretudo da Coreia do Sul, o maior fornecedor individual, da Malásia, de Singapura e da China – todas elas dependentes de crude que passa pelo Médio Oriente.
Bowen confirmou que a corrida para substituir os embarques cancelados está a estender as cadeias de abastecimento até ao Texas e ao México, o que alonga os prazos de entrega em várias semanas.
O impacto mais grave faz-se sentir nas regiões e nas comunidades mais isoladas.
Em Robinvale, por exemplo, o racionamento foi fixado em 50 dólares australianos por veículo após os postos esgotarem o combustível, com o proprietário da estação, Nathan Falvo, a classificar a situação como “a pior em 25 anos” e a dar prioridade a agricultores em detrimento de automobilistas comuns.
Dubbo e Broken Hill registam filas que se estendem por quarteirões.
As comunidades indígenas enfrentam riscos de isolamento total, tendo já sido organizadas entregas de emergência por via aérea.
As reservas atuais de gasolina situam-se em 38 dias e as de gasóleo e combustível de aviação em 30 dias – suficientes até meados de Abril.
FIM
Escrito por RafaFM
Estado australiano de NSW estuda medidas estilo Covid-19 para gerir crise de combustível
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