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Primeiro-Ministro da Austrália, Anthony Albanese, na Câmara dos Representantes em Camberra. Foto: The Age
SYDNEY, 23 de março de 2026 (RAFA.tl) – A Austrália está a enfrentar crescente pressão no mercado dos combustíveis, com preços em máximos históricos e falhas localizadas no abastecimento em dezenas de postos nos estados de Nova Gales do Sul, Queensland e Victoria.
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A situação, criada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, ocorre num contexto de perturbação internacional da oferta, compras por pânico e fragilidades na distribuição interna.
Intervindo no Parlamento em Camberra, o ministro da Energia, Chris Bowen, disse que atualmente há já 166 gasolineiras nestes três estados sem pelo menos um tipo de combustível.
Fechos que ocorrem ao mesmo tempo que o preço da gasolina e do gasóleo disparou em várias cidades do país.
Segundo Bowen, em Nova Gales do Sul havia 37 postos afetados num total de 2444, enquanto em Queensland 47 postos estavam sem gasóleo e 32 sem gasolina simples, num universo de pouco mais de 1800 postos.
Em Victoria, o governo estadual registou no fim da semana passada 109 postos com uma ou mais categorias indisponíveis, sendo que a atualização mais recente apontava para cerca de 50 postos sem gasóleo.
Em paralelo, o primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, divulgou números mais elevados para o seu estado, referindo 105 postos sem acesso a gasóleo e 35 sem qualquer combustível, o que expôs diferenças na forma de recolha e apresentação dos dados.
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A escalada dos preços tem sido particularmente acentuada nas últimas semanas.
De acordo com os dados mais recentes citados pela imprensa australiana, o preço médio nacional da gasolina subiu 18,5 cêntimos numa semana, para 238 cêntimos por litro, enquanto o preço médio do gasóleo aumentou 36,8 cêntimos, para 282,4 cêntimos por litro.
Em Sydney e Melbourne, alguns postos aproximaram-se já dos três dólares australianos por litro, e membros do Governo não afastaram a possibilidade de os preços poderem atingir os quatro dólares caso a instabilidade internacional se prolongue.
Segundo a ABC News o principal problema da Austrália não é tanto o crude em si, mas sim a forte dependência de combustíveis já refinados, importados sobretudo da Ásia-Pacífico.
Países como Singapura e Malásia, de onde parte desse combustível é enviado para o mercado australiano, dependem por sua vez de crude do Médio Oriente, o que torna a cadeia de abastecimento particularmente vulnerável a perturbações geopolíticas e ao encerramento do Estreito de Ormuz.
A vulnerabilidade estrutural é agravada pelo facto de a Austrália importar cerca de 90% do combustível que consome e dispor de apenas duas refinarias operacionais, insuficientes para cobrir mais de 20% da procura nacional.
Ainda assim, o Governo federal tem insistido que não existe, para já, um colapso da oferta a nível nacional.
Segundo Bowen, o país dispõe de cerca de 38 dias de gasolina e 30 dias de gasóleo e combustível de aviação, apesar do cancelamento de seis carregamentos vindos da Ásia.
Numa análise semelhante, a ABC referiu que o executivo considera haver combustível suficiente até meados de abril, embora admita maior incerteza caso a crise internacional se prolongue para lá desse horizonte.
O executivo de Anthony Albanese tem atribuído as falhas em muitos postos sobretudo a compras por pânico, mais do que a uma rutura física imediata das reservas nacionais.
O primeiro-ministro apelou à população para agir “de forma responsável”, enquanto o Governo avançou com medidas de emergência, incluindo a libertação de parte das reservas estratégicas e a flexibilização temporária das normas de qualidade dos combustíveis, numa tentativa de aumentar a oferta doméstica em cerca de 100 milhões de litros por mês.
Canberra nomeou ainda Anthea Harris, antiga responsável do regulador energético, para coordenar um grupo de trabalho nacional sobre abastecimento.
Apesar dessas garantias, as dificuldades logísticas têm sido mais visíveis nas regiões do interior.
O The Guardian noticiou que algumas localidades em Victoria e Nova Gales do Sul ficaram temporariamente sem combustível e que os distribuidores estavam a privilegiar zonas urbanas e clientes regulares, deixando postos independentes e pequenas comunidades sob maior pressão.
Organizações como a Victorian Farmers Federation e a NSW Farmers alertaram para o risco de perturbações na agricultura, no transporte e na mobilidade quotidiana em vilas e cidades pequenas, onde o acesso ao gasóleo é essencial para tratores, camiões e colheitas sazonais.
A crise está também a levantar suspeitas sobre o comportamento dos retalhistas.
A comissão australiana da concorrência, a ACCC, pediu explicações urgentes às principais empresas do setor por entender que os preços de venda ao público subiram em muitos casos tão depressa como os preços grossistas, e por vezes até mais.
O regulador salientou que, em condições normais, existe um desfasamento de cerca de sete dias entre a subida nos preços grossistas e o reflexo nas bombas, uma vez que os operadores ainda vendem combustível comprado anteriormente a preços mais baixos.
A ACCC sublinhou ainda fortes diferenças entre cidades australianas.
Entre 20 de fevereiro e 11 de março, Perth registou a maior subida média do preço da gasolina, com mais 59,5 cêntimos por litro, enquanto Darwin apresentava os preços diários médios mais altos de gasolina e gasóleo entre as capitais australianas e Canberra os mais baixos.
Nos cinco maiores mercados urbanos, o preço médio diário da gasolina atingiu 219,7 cêntimos por litro em 11 de março, mais 48,8 cêntimos do que em 20 de fevereiro. A autoridade avisou que está preparada para procurar as sanções mais elevadas em tribunal se detetar conduta enganosa ou infrações à lei da concorrência.
Associações de automobilistas e especialistas têm alertado para a possibilidade de os preços permanecerem elevados durante mais tempo do que em choques anteriores.
O porta-voz da NRMA, Peter Khoury, citado pelo Guardian, disse que Sydney, Melbourne e Brisbane poderão ter entrado num “novo patamar elevado permanente” no leste do país, em parte porque muitos postos aumentaram os preços muito cedo no início da crise. Já especialistas ouvidos pela.
FIM
Escrito por RafaFM
Austrália enfrenta subida histórica dos combustíveis e falhas no abastecimento em centenas de postos
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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