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Austrália e Singapura comprometem-se a acordo de reforço de segurança energética

todayAbril 10, 2026 15

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Singapura, 10 de abril 2026 (RAFA.tl) – A Austrália e Singapura assinaram hoje um compromisso de proteção da segurança energética dos dois países, garantindo o fluxo de GNL e combustíveis entre os dois países, perante a situação de crise provocada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

O compromisso foi assinado em Singapura pelos chefes do Governo da Austrália, Anthony Albanese e de Singapura, Lawrence Wong, numa visita organizada com urgência face à instabilidade nos mercados energéticos globais provocadas pelo conflito no Médio Oriente.

Em conferência de imprensa os dois governantes explicaram que está a ser negociado um protocolo jurídico de resiliência económica, no quadro do acordo bilateral de comércio livre entre os dois países.

“Estes são momentos difíceis não apenas para Austrália e Singapura, mas para países em todo o mundo. O conflito no medio oriente está a condicionar as redes de transporte em todo o mundo e os mercados energéticos. Os efeitos sentem-se na economia global”, disse Wong.

“A Singapura e a Austrália sentem estas pressões diretamente. Por isso em momentos como este, temos de trabalhar de forma próxima, rápida e estar ao lado uns dos outros. E é isso que temos estado a fazer”, afirmou.

Wong vincou que o acordo se baseia em “princípios simples, mas críticos” que procuram manter as trocas comerciais a fluir entre os dois países, tanto de bens essenciais como de combustíveis e gás liquefeito.

“Queremos transformar estes compromissos e definir rapidamente um protocolo. Não se trata apenas de gerir a crise atual, mas de criar bases para o futuro. Vamos acelerar as negociações e esperamos concluir o acordo rapidamente”, afirmou.

Anthony Albanese vincou os mesmos argumentos, explicando que o acordo assenta na “relação profunda” entre os dois países, e recordou que as refinarias de Singapura fornecem cerca de 25% dos combustíveis da Austrália  e a Austália fornecer cerca de 32% do GNL para Singapura

Na sua terceira visita oficial a Singapura, Albanese referiu-se ao momento de “incerteza global” que exige “confiança, amizade e cooperação” e uma parceria sólida que permita garantir segurança energética.

“Esta é uma relação importante, e numa altura em que a segurança energética está na agenda de todo o mundo devido ao conflito no Médio Oriente, esta relação é mais importante do que nunca”, disse Albanese.

O acordo rubricado hoje vai além das declarações anteriores. Os dois líderes acordaram na conclusão de um protocolo juridicamente vinculativo ao Acordo de Livre Comércio Singapura-Austrália (SAFTA) sobre Resiliência Económica e Bens Essenciais.

Foi ainda criado o Diálogo de Resiliência Económica Austrália-Singapura e um Diálogo Ministerial de Energia inaugural entre os dois países.

Na declaração conjunta, os dois líderes “reafirmaram o apoio ao atual cessar-fogo e incentivaram as negociações para pôr fim ao conflito”.

Albanese não escondeu as suas reservas quanto ao cessar-fogo anunciado pela administração Trump.

“Queremos vê-lo implementado. Mas mesmo que haja um fim permanente do conflito, isso não significa que o Estreito de Ormuz seja reaberto e que tudo volte ao normal”, alertou, acrescentando que “houve danos substanciais no Golfo e isso terá consequências durante pelo menos vários meses”.

No mesmo sentido, Wong tinha já preparado os singapurenses para o pior.

Em mensagem vídeo dirigida à nação a 2 de abril, o chefe do governo traçou um quadro sombrio. “Mesmo que um cessar-fogo seja alcançado amanhã, temos de esperar que o impacto do conflito persista. As infra-estruturas de produção e distribuição de energia foram danificadas. Levará provavelmente vários meses a restaurar a capacidade total. Os preços deverão portanto manter-se elevados durante algum tempo”, afirmou.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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