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Lú-Olo, o ex-guerrilheiro que chegou a Presidente da República – Biografia

todayJunho 21, 2026 122

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Díli, 21 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Francisco Guterres Lú-Olo, um dos últimos guerrilheiros a descer das montanhas de Timor-Leste, chegou ao cargo de Presidente de República timorense, exatamente 15 anos depois de ele próprio ter ‘proclamado’ a restauração da República Democrática de Timor-Leste.

A 20 de maio de 2002 no mesmo espaço onde tomou posse como sexto Chefe de Estado, em Tasi Tolu, nos arredores da capital timorense, Lú-Olo, então presidente do Parlamento Nacional teve a honra de declarar o nascimento da primeira Nação do novo milénio.

Presidiu à subida da bandeira do novo Estado e momentos depois, deu posse ao primeiro Presidente da restauração, Xanana Gusmão.

Esse foi, porventura, o fim do maior capítulo da vida de Lú-Olo que nasceu a 07 de setembro de 1954 em Ossú, zona remota de Timor-Leste, no subdistrito de Viqueque, a sudeste de Díli.

Para um homem que passou grande parte da vida a combater soldados indonésios nas montanhas de Timor-Leste – fugiu para o mato pouco depois da invasão indonésia em 1975 e só entregou as armas em 2000 – a cerimónia de Tasi Tolu, em 2007 parece ter fechado um ciclo.

Primeiro porque conseguiu finalmente ser eleito para a Presidência – perdeu na primeira volta em 2007 e 2012 – mas também porque com a sua tomada de posse é o terceiro líder da Fretilin (Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente) a assumir o cargo.

Francisco Xavier do Amaral e Nicolau Lobato foram os primeiros presidentes depois da proclamação unilateral da independência, a 07 de dezembro de 1975, seguindo-se depois Abílio Araújo, como recentemente o Arquivo e Museu da Resistência reconhecer.

O cargo ficaria vazio até que Lú-Olo deu posse a Xanana Gusmão, em 2002.

Presidente da Assembleia Constituinte entre 15 de setembro de 2001 e 20 de maio de 2002 – quando passa a presidente do Parlamento Nacional – Lú-Olo conclui em 2011 o curso de direito na Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, que começou ainda quando liderava o parlamento.

Quando deixa o cargo de presidente do Parlamento, em junho de 2007, Lú-Olo fica alguns anos afastado de cargos públicos, dedicando-se mais ao partido, até fevereiro de 2014 quando é nomeado presidente da Comissão Preparatória da Cimeira dos Chefes de Estados e Governos da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa.

Lú-Olo começou os seus estudos no Colégio Sta. Teresinha de Ossú onde completou a 4ª Classe em 1969 tendo sido aluno da Pa. Salesianos, durante esta mesma instrução primária, sem ainda nenhuma expectativa do seu futuro.

É nesse ano que viaja para a capital, ingressando no Liceu de Díli que frequentou até 1973, regressando depois para o Colégio St. Teresinha como monitor escolar, funções que ocupa até 1974 quando a vontade de continuar os estudos o trazem de volta à capital.

Em 1975 aderiu à FRETILIN, tornando-se simpatizante deste partido político por ter gostado, diz, do seu programa político, onde se defendia a independência de Timor-Leste e mudanças na vida sociopolítica e económica da população, através de reformas estruturais à herança do sistema colonial português.

Quando se deu a invasão indonésia de Timor-Leste, a 07 Dezembro de 1975, Lu Olo foge para o mato com a população da sua zona, em especial com a juventude de quem desfrutava confiança e amizades profundas.

Une-se ao pelotão comandado por Lino Olkasa e inicia assim a sua vida como combatente pela FRETILIN.

Em Junho de 1976 é nomeado vice-Secretário de Ossú, depois passa a Secretário, substituindo outro conterrâneo capturado pelo inimigo durante uma incursão militar.

Após uma primeira reunião do Comité Central da FRETILIN (CCF), foi destacado como vice-Secretário da Região Leste, ficando mais próximo de Xanana Gusmão.

Um ano depois é nomeado vice-secretário do partido, e em 1978 delegado do Comissariado do Sector na Ponta Leste, entre muitos outros cargos dos quadros médios da FRETILIN.

Em 1982 é nomeado adjunto e colocado na Região Centro Leste onde integra o Comando da 3ª Companhia da guerrilha, sendo ainda responsável político, um cargo para que é nomeado formalmente em 1984.

Foi em 1987, já com esta dupla função executiva, que Lú-Olo é transferido para a Região Cruzeiro (Same, Manatuto Oeste, Aileu e parte oriental de Dili).

Em 1997 assume a função de secretário da Comissão Diretiva da FRETILIN, após a morte por acidente de Konis Santana, assim preenchendo o vazio político da FRETILIN na resistência armada.

Como a criação do CNRT, em 1998, Lu’olo acumula os cargos de membro do CPN/CNRT, de secretário da Frente Política Interna, membro do Conselho Político Militar na resistência armada e ainda as funções que ocupava no Conselho Presidencial da FRETILIN.

O fim da guerra, depois de um quarto de século, permite que Lu’olo desça das montanhas com as FALINTIL para a vila de Aileu, a sul de Díli.

A 26 de novembro de 2000 entrega a sua AR-15 e as munições ao Comando das FALINTIL, desce para Díli onde incentiva a criação da Conferência Nacional da FRETILIN, e depois a reorganização das estruturas de base do partido a pensar no Congresso de Julho de 2001 em que é eleito Presidente.

Após as eleições de 30 de agosto de 2001, que culminou com a vitória da FRETILIN, Lú-olo toma posse como membro da Assembleia Constituinte de Timor-Leste sendo eleito presidente da estrutura.

Foi depois o primeiro presidente do Parlamento Nacional, cargo que ocuparia até 2007.

Ainda era o Presidente da Fretilin quando morreu num hospital na Malásia onde estava em tratamento médico.

Francisco Guterres Lu Olo deixa viúva Cidália Nobre Guterres.

O casal teve quatro filhos: Francisco Cidalino Guterres, Eldino Nobre Guterres, Felezito Samora Guterres e Dália Guterres.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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