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Díli, 29 de abril de 2026 (RAFA.TL) – Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que vão sair da d Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), numa decisão de grande impacto para vários países exportadores de petróleo, incluindo o líder de facto da organização, a Arábia Saudita.
A decisão abrange ainda a saída da OPEP +, organização que também inclui a Rússia, entre outros aliados.
A saída, que entra em vigor a 1 de Maio de 2026, reflete “a visão estratégica e económica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e o seu perfil energético em evolução”, segundo um comunicado divulgado pela agência de informação estatal.
“Durante o nosso tempo na organização, fizemos contribuições significativas e ainda maiores sacrifícios em benefício de todos”, acrescenta o mesmo comunicado.
“No entanto, chegou o momento de concentrar os nossos esforços no que o nosso interesse nacional determina.”
O Ministério da Energia e Infraestruturas dos Emirados limitou-se a afirmar que a decisão se baseou no interesse nacional do país, na sequência de uma revisão abrangente da sua política e capacidade de produção, considerando que a saída lhes dará mais flexibilidade para responder à dinâmica do mercado.
Os Emirados Árabes Unidos têm ambição de atingir uma capacidade de 5 milhões de barris por dia até 2027 e pretendem ter mais liberdade de acção para prosseguir esse objetivo.
Apesar das tensões acumuladas, o ministro da Energia, Suhail Mohamed al-Mazrouei, desvalorizou qualquer rutura com Riade
“Isto não tem nada a ver com os nossos irmãos ou amigos dentro do grupo. Temos o maior respeito pelos sauditas pela forma como lideram a OPEP”, refere.
O país do Golfo é membro da OPEP desde 1967 – sete anos após a criação da organização. Em fevereiro, era o terceiro maior produtor de petróleo do grupo, apenas atrás da Arábia Saudita e do Iraque.
O anúncio surge depois de os Emirados Árabes Unidos terem sido alvo, durante semanas, de ataques com mísseis e drones por parte do Irão, também membro da OPEP.
O bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerão limitou severamente a capacidade dos Emirados de exportar petróleo, ameaçando os alicerces da sua economia. Pelo Estreito de Ormuz passa normalmente um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo.
A saída dos Emirados enfraquecerá a influência da organização e da Arábia Saudita no mercado petrolífero, uma evolução que poderá ter efeitos baixistas nos preços a longo prazo.
Os Emirados eram o membro mais influente da OPEP a seguir à Arábia Saudita, sendo um dos poucos membros com capacidade de reserva de produção significativa para influenciar os preços e responder a choques de oferta.
A empresa de investigação energética Rystad Energy considera que a saída dos Emirados representa uma mudança significativa para o grupo produtor de petróleo.
“Perder um membro com 4,8 milhões de barris por dia de capacidade, e com ambição de produzir mais, retira uma ferramenta real das mãos do grupo”, afirmou Jorge Leon, responsável de análise geopolítica da Rystad Energy.
“Com a procura a aproximar-se de um pico, o cálculo para os produtores com barris de baixo custo está a mudar rapidamente, e esperar a sua vez dentro de um sistema de quotas começa a parecer deixar dinheiro na mesa.”
“A Arábia Saudita fica agora com mais peso na estabilidade dos preços, e o mercado perde um dos poucos amortecedores que lhe restavam.”
O economista internacional de petróleo Mamdouh G. Salameh avançou uma leitura diferente, considerando que a saída dos Emirados tem motivação essencialmente política e “dificilmente terá qualquer impacto nos preços do petróleo”.
Segundo o especialista, divergências com a Arábia Saudita sobre quotas de produção criaram um desgaste prolongado, especialmente após Riade ter rejeitado a exigência emiradense de uma quota de 5 milhões de barris por dia.
Questionado sobre possíveis novas alianças, Salameh foi categórico: não há grandes oportunidades estratégicas abertas pela decisão. “O país aproximar-se-á dos EUA, mas isso não é mais uma vantagem”, afirmou.
A saída dos Emirados da OPEP representa uma vitória para o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusou a organização de “roubar o resto do mundo” ao inflacionar os preços do petróleo.
Trump relacionou também o apoio militar dos EUA ao Golfo com os preços do petróleo, dizendo que, embora os EUA defendam os membros da OPEP, eles “exploram isso impondo altos preços do petróleo”.
FIM
Escrito por RafaFM
Emiratos Árabes Unidos abandonam OPEP numa decisão histórica para a organização
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