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Díli, 20 de abril de 2026 (RAFA.tl) – Uma medida pensada para modernizar a gestão de resíduos em Bali está a produzir efeitos contrários aos pretendidos, com residentes a queimar lixo nos seus quintais, provocando preocupações ambientais e de saúde pública.
Em causa está a decisão, aplicada desde o inicio de abril, de impor restrições ao aterro de Suwung – que processava cerca de mil toneladas de lixo por dia e se situa a cerca de 10 quilómetros do aeroporto internacional de Denpasar.
O objetivo era reduzir a pressão sobre o aterro e levar as famílias a separar os resíduos na origem. Residentes dizem que, na prática, porém, o lixo está a mudar de destino – do aterro para as fogueiras, dos camiões para os rios.
Os resíduos orgânicos – incluindo sobras domésticas, alimentos estragados e desperdício dos hotéis da ilha – representavam um dos maiores desafios do aterro de Suwung.
Agora, sem alternativas claras, os residentes passaram a queimar o lixo ou a deitá-lo nos rios e nas bermas das estradas.
Os resíduos orgânicos representam cerca de dois terços de todo o lixo produzido em Bali, o que significa que a restrição ao aterro afeta a esmagadora maioria do que famílias e empresas descartam diariamente.
Em Denpasar, as autoridades reportam um aumento abrupto de resíduos nas vias fluviais. Segundo o Gabinete de Obras Públicas e Planeamento Espacial (PUPR), as equipas estão agora a retirar até sete toneladas de lixo dos rios por dia.
“Claramente há um aumento”, admitiu Ketut Ngurah Artha Jaya, responsável pelos recursos hídricos do organismo.
As zonas de Kuta, Seminyak, Legian e Canggu, no sul de Bali, estão entre as mais afetadas, com leituras de qualidade do ar a atingir 150 na escala AQI. Em Uluwatu, uma densa neblina de fumo tem-se espalhado pela costa.
As autoridades previam o encerramento do aterro de Suwung, com uma área 32 hectares de área, até 01 de agosto de 2026.
O governador de Bali, Wayan Koster, afirmou que o número de camiões a transportar resíduos para Suwung caiu mais de 50% na primeira semana de implementação da medida – mas a situação no terreno conta uma história diferente.
O Presidente indonésio Prabowo Subianto reconheceu publicamente as queixas de figuras internacionais sobre o declínio da limpeza de Bali, alertando que a degradação ambiental pode comprometer o sector do turismo.
“Os turistas não virão se virem lixo por todo o lado”, disse durante uma reunião de coordenação nacional.
A diretora executiva da Get Plastic Indonesia Foundation, Ayu Pawitri, considerou que restringir o acesso ao aterro sem infraestrutura adequada pode criar novos problemas em vez de resolver os existentes.
“Uma política só é eficaz se a implementação no terreno correr em paralelo com sistemas adequados”, afirmou, sublinhando que a educação pública, a infraestrutura de tratamento de resíduos e os sistemas de gestão baseados em dados deveriam ter sido estabelecidos antes de entrar em vigor a restrição.
O plano das autoridades prevê separação obrigatória de resíduos ao nível das famílias, uma rede de centros de reciclagem de bairro, unidades de triagem urbana e infraestrutura de compostagem. Cerca de 96% das 1.500 aldeias tradicionais de Bali implementaram as suas próprias restrições locais ao plástico – mas o volume gerado pelo sector turístico continua sem solução.
FIM
Escrito por RafaFM
Nova política ambiental agrava crise de resíduos em Bali
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