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Ajuda internacional ao desenvolvimento registou maior queda anual de sempre em 2025

todayAbril 20, 2026 25

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Díli, 20 de abril de 2026 (RAFA.tl) – A ajuda pública ao desenvolvimento (APD) mundial caiu em 2025 a um ritmo sem precedentes históricos, segundo dados preliminares da OCDE divulgados esta semana.

Os dados da OCDE mostram que no ano passado se registou a maior queda anual de sempre, com os EUA a concentrar três quartos do declínio global. Para Timor-Leste, a redução afeta programas de saúde, educação e governação que sustentam o desenvolvimento da mais jovem nação da região.

A ajuda internacional proveniente dos países membros do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) da OCDE caiu 23,1% em termos reais face a 2024, fazendo cair a APD para níveis que não se viam desde 2015, ano em que foi adotada a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. No total, a APD dos países do CAD ascendeu a 174,3 mil milhões de dólares, representando 0,26% do rendimento nacional bruto combinado destes países.

A APD bilateral caiu 26,4% para 126,4 mil milhões de dólares, enquanto a APD multilateral recuou 12,7% para 47,9 mil milhões.

Dentro da APD bilateral, as subvenções registaram uma queda muito mais acentuada (-29,1%) do que os empréstimos (-10,3%).

A ajuda humanitária caiu 35,8%, enquanto a APD bilateral destinada a programas de desenvolvimento, projetos e cooperação técnica recuou 26,3% – a maior queda de sempre nesta componente.

Os EUA, a Alemanha, o Reino Unido, o Japão e a França foram responsáveis por 95,7% do total do declínio.

Os EUA sozinhos representaram três quartos da quebra, com a sua APD a cair 56,9% face a 2024 – a maior redução em volume por parte de qualquer doador em qualquer ano da história.

Pela primeira vez, a Alemanha tornou-se o maior doador do CAD, com uma APD total de 29,1 mil milhões de dólares.

O presidente do CAD, Carsten Staur, classificou a situação como “profundamente preocupante”, sublinhando que o mundo atravessa “um período de crescentes necessidades humanitárias, pressões fortes sobre os países mais pobres e frágeis, e incertezas globais crescentes”, concluindo que “o mundo precisa de mais APD, não de menos”.

A APD bilateral aos países menos desenvolvidos (PMD) e à África Subsaariana caiu 25,8% e 26,3%, respetivamente.

Em anos recentes, estes declínios bilaterais eram parcialmente compensados por aumentos no financiamento concessionário de organizações multilaterais.

Contudo, com a APD multilateral a cair pelo segundo ano consecutivo, é incerto se esta tendência se manterá.

A APD bilateral para a saúde deverá cair entre 19 e 33% em 2025 face a 2023, ficando abaixo dos níveis pré-COVID-19. Os onze membros que anunciaram cortes representam entre 62% (para a OMS) e 87% (para o PMA) do financiamento das principais agências multilaterais de saúde e ajuda humanitária.

Timor-Leste figura explicitamente na lista da OCDE dos países menos desenvolvidos do Extremo Oriente Asiático mais expostos a estes cortes, juntamente com o Camboja e a República Democrática Popular do Laos.

Timor-Leste recebe a maior proporção de ajuda externa face ao tamanho da sua economia em toda a Ásia do Sudeste, com a APD equivalente a 14% do PIB em 2023.

Entre 2015 e 2023, 53 parceiros de desenvolvimento implementaram 6.250 projetos no país, num total de 2,8 mil milhões de dólares.

A Austrália foi responsável por mais de um quarto da ajuda recebida neste período, chegando a representar um terço nos anos mais ativos.

Num sinal de alerta, os novos compromissos para Timor-Leste já tinham caído para metade nos dois últimos anos face ao pico de 2021, ficando abaixo da média anual do período 2015-23, o que poderá indicar um próximo declínio nos níveis de desembolso.

A The Lancet publicou em outubro de 2025 um artigo específico sobre o impacto dos cortes norte-americanos em Timor-Leste, alertando que os cortes na ajuda internacional estão a pôr em risco o desenvolvimento da democracia mais jovem da Ásia.

As contribuições centrais para o sistema das Nações Unidas caíram 27%, o maior declínio anual de sempre nesta componente.

Em contraste, as contribuições para o Banco Mundial e para os bancos regionais de desenvolvimento aumentaram.

As projeções da OCDE apontam para uma nova queda da APD em 2026 de cerca de 5,8%, ainda sem contabilizar eventuais pressões adicionais decorrentes da crise em curso no Médio Oriente.

O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, apelou a que os doadores “revertam esta tendência negativa”, advertindo que as pressões fiscais sobre os países em desenvolvimento estão a crescer e que o conflito em curso no Médio Oriente representa um risco significativo para o crescimento global e a segurança alimentar.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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