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China alerta que El Niño forte pode afetar segurança alimentar este ano

todayAbril 20, 2026 41

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Díli, 20 de Abril de 2026 (RAFA.tl) – Cientistas do Centro Nacional de Clima da China emitiram um alerta sobre o regresso de um El Niño forte ainda este ano, numa advertência que tem implicações diretas para Timor-Leste, um dos países da região vulneráveis a este fenómeno climático.

Os cientistas chineses alertam que o fenómeno previsto para 2026 pode agravar a crise energética global já fragilizada pelo conflito no Médio Oriente.

Segundo a Administração Meteorológica Chinesa condições de El Niño de intensidade moderada a forte deverão surgir globalmente a partir de maio, desenvolvendo-se ao longo do resto do ano.

Wang Yaqi, do Centro Nacional de Clima, alertou que o fenómeno poderá atingir duramente as regiões dependentes de energia hidroelétrica, forçando-as a queimar mais combustíveis fósseis para produzir eletricidade e criando “um ciclo prejudicial que agrava as alterações climáticas e coloca pressão nas economias”.

O aviso surge na sequência da forte subida dos preços globais do petróleo provocada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irão, que levou ao encerramento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima fundamental para o abastecimento energético mundial.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) estima uma probabilidade de 62% de El Niño se instalar entre junho e agosto de 2026, com uma probabilidade de um em três de se tornar forte até ao final do ano.

Alguns modelos climáticos europeus vão mais longe, apontando para um evento comparável aos devastadores episódios de 1997-98 e 2015-16.

Para o Sudeste Asiático, a principal preocupação é a seca e o calor extremo.

A NASA indica que o El Niño tende a deixar o Pacífico Ocidental em condições secas, podendo desencadear secas em toda a Indonésia, Sudeste Asiático e norte da Austrália.

Timor-Leste já conhece bem as consequências deste fenómeno.

Durante o El Niño de 2015-16, Timor-Leste foi afetado por uma das piores secas registadas, com 70% da população dependente de agricultura de sequeiro.

A seca provocou falhas nas colheitas, redução dos rendimentos familiares e a morte de cabeças de gado.

Nesse período, até 120.000 pessoas nos municípios de Lautém, Viqueque, Baucau, Oecusse e Covalima foram afetadas, com agricultores a registar reduções consecutivas em duas épocas de colheita. Algumas comunidades levaram até dois anos a recuperar.

Em 2023, a história repetiu-se. O Governo de Timor-Leste, em colaboração com o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a FAO, emitiu um alerta urgente de segurança alimentar, com 12 dos 14 municípios a registar sinais claros de seca.

Na altura, a insegurança alimentar já afetava 22% da população, correspondente a 300.000 pessoas.

A FAO sublinha que os riscos climáticos induzidos pelo El Niño representam uma ameaça elevada à segurança alimentar em Timor-Leste, podendo afetar fortemente a agricultura e os meios de vida rurais.

Estudos da Oxfam em Timor-Leste documentam que as estações secas mais longas já têm impactos graves nas zonas rurais, com danos em terras agrícolas, e que os efeitos das alterações climáticas se agravam pelas desigualdades existentes, afetando de forma desproporcionada mulheres, agricultores sem título de propriedade e comunidades em zonas de risco.

A nível regional, espera-se que a seca se expanda pela Indonésia, Filipinas e partes do Pacífico Sul, enquanto o risco de cheias intensas afeta o Peru, Equador, norte e leste de África e regiões equatoriais do Pacífico.

Para o Sudeste Asiático, a combinação de El Niño com um Dipolo Positivo do Oceano Índico poderá criar um bloqueio de alta pressão sobre a região, efetivamente impedindo as chuvas de monção.

Os pântanos de turfa da Indonésia transformar-se-iam em potenciais focos de incêndio, com risco de névoa transfronteiriça a afetar Singapura, Malásia e sul da Tailândia.

Analistas estimam que uma seca prolongada até ao final de 2026 poderá fazer os preços alimentares na região subir 15 a 20%, empurrando milhões de pessoas de volta para a pobreza.

Especialistas sublinham que os países em desenvolvimento são historicamente mais vulneráveis ao fenómeno ENSO.

Além da agricultura e da segurança alimentar, o El Niño tem impacto direto na estabilidade das redes elétricas dependentes de energia hidroelétrica e na saúde pública, com o calor prolongado a causar doenças relacionadas com o calor, afetando particularmente os mais idosos e doentes crónicos.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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