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Ásia e Pacífico podem ficar para trás na corrida da IA sem reformas adequadas, segundo BAD

todayAbril 10, 2026 15 4

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Manila, 10 de abril 2026 (RAFA.TL) – O Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) alertou esta sexta-feira que a inteligência artificial (IA) generativa poderá transformar profundamente as economias da Ásia e do Pacífico, mas que os países em desenvolvimento necessitam de reformas adequadas para beneficiar.

Em concreto, segundo o relatório “Asian Development Outlook” de abril, publicado hoje pelo BAD, os ganhos iniciais da IA tenderão a concentrar-se nas economias avançadas da região, enquanto os países em desenvolvimento continuam limitados por fragilidades em infraestrutura digital, capital humano, capacidade de inovação, qualidade institucional e estrutura económica.

O relatório divulgado hoje inclui um capítulo especial sobre a preparação e impacto económico da IA na Ásia e Pacífica.

Na análise, o BAD considera que as economias mais desenvolvimento estão melhor posicionadas para captar os primeiros dividendos da nova vaga tecnológica, graças a investimento prévio em centros de dados, capacidade computacional, conectividade, ecossistemas de inovação e mão de obra mais preparada.

Já a Ásia em desenvolvimento poderá ter benefícios mais tarde, por difusão tecnológica e efeitos de convergência, mas apenas se acelerar reformas estruturais.

O banco estima que, até 2030, as economias avançadas da Ásia e do Pacífico e os Estados Unidos possam registar ganhos adicionais de crescimento entre 0,6 e 2,1 pontos percentuais impulsionados pela IA.

Em contrapartida, nas economias em desenvolvimento da região, o impacto projetado é mais moderado, entre 0,2 e 1,8 pontos percentuais.

Para 2040, os ganhos nas economias avançadas tendem a abrandar para 0,4 a 1,5 pontos percentuais, enquanto nas economias em desenvolvimento permanecem entre 0,1 e 1,6 pontos, sinalizando que o potencial de recuperação existe, mas depende de capacidade de adaptação.

Uma das principais conclusões do relatório é a dimensão do fosso de preparação tecnológica.

No componente de infraestrutura digital do índice de prontidão para IA, as economias avançadas da região – incluindo Austrália, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Nova Zelândia e Hong Kong, China – obtêm em média 0,19, perto da fronteira global.

Em contraste, várias economias em desenvolvimento, entre elas Camboja, Índia, Myanmar, Papua-Nova Guiné e Filipinas, ficam abaixo de 0,11.

As disparidades repetem-se noutras áreas decisivas.

Segundo o BAD, a Ásia em desenvolvimento regista uma média de 0,13 em capital humano e políticas do mercado de trabalho, abaixo dos 0,17 das economias avançadas.

Em regulação e ética, a diferença é ainda mais visível: 0,12 contra 0,20. Também na capacidade de inovação e integração económica, o grupo em desenvolvimento fica atrás, com 0,11, face a 0,17 nas economias mais avançadas.

O relatório conclui que os maiores ganhos de produtividade deverão concentrar-se nos serviços e na indústria, enquanto a agricultura ficará menos exposta.

Os choques de produtividade estimados variam entre 0,3% e 9,0% nos serviços e entre 0,3% e 9,1% na indústria, contra 0,1% a 4,5% na agricultura.

Entre os segmentos mais expostos à IA generativa surgem os serviços financeiros, a educação, a informação e comunicação e os serviços profissionais, áreas em que as tarefas analíticas e digitais são mais facilmente complementadas ou automatizadas por sistemas de IA.

Em contrapartida, agricultura, transportes e construção aparecem como setores menos expostos.

No mercado de trabalho, o BAD traça um quadro misto. A IA poderá gerar simultaneamente criação e destruição de emprego, e o saldo dependerá da preparação de cada economia.

Nas economias avançadas, os efeitos deverão concentrar-se sobretudo nos serviços, onde os ganhos de eficiência podem impulsionar nova procura.

Na China e na Índia, o relatório admite ganhos temporários de emprego na agricultura e na indústria, à medida que alguns setores expandem produção numa fase inicial. Já no resto da Ásia em desenvolvimento, o banco avisa que os efeitos de substituição poderão sobrepor-se aos de criação, provocando desemprego de transição e ajustamentos mais difíceis.

A análise sugere ainda que a qualidade do capital humano será decisiva para determinar se a IA aumenta rendimentos e produtividade ou, pelo contrário, aprofunda desigualdades.

Segundo o BAD, os trabalhadores com competências complementares à IA tendem a beneficiar mais, porque conseguem usar a tecnologia para reforçar desempenho, enquanto economias com menor preparação arriscam ver o choque tecnológico traduzido em exclusão laboral, menor difusão dos ganhos e maior divergência face aos países mais avançados.

O banco identifica também diferenças na forma como a IA impulsiona o crescimento. Nas economias avançadas, as exportações surgem como principal motor dos ganhos adicionais de PIB, contribuindo com 0,4 a 1,2 pontos percentuais.

Nas economias em desenvolvimento, o principal canal é o investimento, com contributos entre 0,1 e 1,1 pontos percentuais, o que reforça a ideia de que o aproveitamento da IA dependerá de acumulação de capital, melhoria de infraestrutura e entrada em cadeias de valor tecnológicas.

Entre as recomendações, o BAD pede aos governos da região que reforcem a infraestrutura digital, expandam a capacidade computacional, melhorem a conectividade, criem regras credíveis para dados, privacidade e ética, invistam em competências ligadas à IA e fortaleçam os sistemas de proteção social para apoiar trabalhadores deslocados. O banco defende ainda incentivos dirigidos ao setor dos serviços, onde se concentram os maiores ganhos potenciais, e políticas para desenvolver indústrias produtoras de bens facilitadores da IA, como eletrónica e hardware, permitindo maior integração nas cadeias globais de valor.

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Escrito por RafaFM

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