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Israel continua ataques no Líbano complicando negociações sobre cessar-fogo EUA-Irão

todayAbril 10, 2026 18 2

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Díli, 10 de abril de 2026 (RAFA.tl) – Israel continuou hoje a bombardear o Líbano, agravando a pressão sobre um cessar-fogo frágil entre os Estados Unidos e o Irão e levantando dúvidas sobre as conversações previstas para este fim de semana em Islamabad.

Os dados mais recentes indicam que os ataques israelitas no Líbano desde quarta-feira mataram mais de 300 pessoas e feriram pelo menos 1.150, no que foi descrito como uma das ações mais letais da campanha recente.

Segundo o Ministério da Saúde libanês, o balanço acumulado desde 2 de março subiu para 1.888 mortos e mais de 6.000 feridos, o que mostra que o novo pico de violência se insere numa ofensiva já prolongada.

A dimensão humanitária da ofensiva agravou-se, com a UNICEF a referir-se a um impacto “devastador e desumano” sobre as crianças, com os bombardeamentos mais recentes a matarem 33 crianças e ferirem 153 outras.

Segundo a mesma fonte, o número de menores mortos ou feridos no Líbano desde 2 de março ascende já a 600, enquanto cerca de 390.000 crianças fazem parte de uma população deslocada superior a um milhão de pessoas.

A pressão sobre o sistema de saúde libanês também se intensificou. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, apelou a Israel para retirar uma ordem de evacuação forçada que afeta dois hospitais essenciais na área de Beirute, numa altura em que as unidades de saúde enfrentam dificuldades crescentes para tratar o afluxo de vítimas civis.

No plano diplomático, a escalada ameaça ensombrar as negociações entre Washington e Teerão que deverão começar sábado de manhã, hora local, no Hotel Serena, em Islamabad.

A delegação norte-americana deverá ser liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner, enquanto o lado iraniano deverá ser chefiado pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.

As conversações destinam-se a transformar numa solução mais duradoura a trégua temporária alcançada esta semana com mediação do Paquistão.

Segundo a Al Jazeera, os termos conhecidos incluem uma pausa inicial de duas semanas nos ataques dos EUA ao Irão, a suspensão dos ataques retaliatórios iranianos durante esse período e o compromisso iraniano de permitir a reabertura “completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz.

Mas é precisamente o Líbano um dos principais pontos de fricção. Israel e os Estados Unidos sustentam que o cessar-fogo com o Irão não abrange a frente libanesa, ao passo que o Paquistão e o Irão afirmam que o entendimento deveria estender-se aos ataques israelitas contra o Hezbollah.

A Reuters citou o gabinete de Benjamin Netanyahu a dizer explicitamente que o Líbano está excluído, enquanto Ghalibaf alertou que “o tempo está a esgotar-se” e insistiu que o Líbano e outros aliados regionais do Irão são parte inseparável de qualquer acordo.

A Reuters noticiou também que Netanyahu disse procurar conversações diretas com Beirute e quer que qualquer processo inclua o desarmamento do Hezbollah e o estabelecimento de relações pacíficas entre Israel e o Líbano.

Um responsável israelita disse à agência que Israel se preparava para reduzir a intensidade dos ataques, mas os bombardeamentos continuaram na quinta-feira sobre os subúrbios do sul de Beirute e outras zonas do país.

Do lado libanês, o Presidente Joseph Aoun afirmou estar a trabalhar numa via diplomática vista de forma “positiva” por atores internacionais.

A ambiguidade em torno do alcance da trégua está igualmente a afetar o dossiê energético. Embora Washington espere a reabertura do Estreito de Ormuz, a Reuters refere que quase não havia sinais de retoma normal do tráfego marítimo: nas primeiras 24 horas do cessar-fogo, transitou apenas um navio-tanque de produtos petrolíferos e cinco cargueiros de granéis secos, muito abaixo da média habitual de cerca de 140 navios por dia antes da guerra.

No pano de fundo regional, o conflito alargado já provocou pesadas perdas em vários países.

FIM

Escrito por RafaFM

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