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Díli, 31 de março de 2026 (RAFA.tl) – A Amnistia Internacional alertou esta semana para a possibilidade do Mundial de Futebol de 2026, que arranca a 11 de junho nos Estados Unidos, Canadá e México, correr o risco de se transformar numa montra de violações dos direitos humanos.
Num relatório, a organização não-governamental
No seu novo relatório, intitulado Humanity Must Win: Defending Rights, Tackling Repression at the 2026 FIFA World Cup, a organização com sede em Londres apela a ações urgentes da FIFA e dos países anfitriões para evitar que o mundial “se torne um palco para a repressão e uma plataforma para práticas autoritárias”.
A Amnistia Internacional alerta que “restrições severas à liberdade de expressão e de manifestação pacífica” ameaçam o torneio que a FIFA prometeu ser “seguro, acolhedor e inclusivo”.
As principais críticas são dirigidas aos Estados Unidos, onde decorrem três quartos dos jogos do torneio, com a organização a considera que o país vive uma “emergência de direitos humanos” sob a administração Trump, marcada por deportações em massa, detenções arbitrárias e operações de fiscalização que a organização classifica de “paramilitares”.
Pelo menos seis pessoas morreram sob custódia do Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro (ICE) em 2026, e uma sétima foi mortalmente baleada por um agente do ICE fora de serviço. Em 2025, registaram-se 32 mortes sob custódia do ICE, que segundo os seus responsáveis será”uma peça-chave do aparelho de segurança global do Mundial”.
A AI denuncia ainda que nenhum dos planos publicados pelas cidades-sede aborda a forma como adeptos ou comunidades locais serão protegidos das operações do ICE.
As restrições a viagens impostas pela administração Trump têm consequências diretas para o torneio.
Adeptos da Costa do Marfim, do Haiti, do Irão e do Senegal – quatro das selecções qualificadas – não poderão viajar e entrar nos EUA para apoiar as suas equipas, salvo se tivessem vistos válidos antes de 1 de janeiro de 2026.
Além disso, a Amnistia alerta que outros adeptos enfrentam vigilância intrusiva, com propostas para obrigar os visitantes a disponibilizar as suas contas nas redes sociais para triagem e a serem rastreados por possível “anti-americanismo”.
Grupos de adeptos LGBTQ+ de Inglaterra e de toda a Europa já anunciaram que não irão aos jogos nos EUA, citando riscos no país.
O México, que acolhe o jogo de abertura, não escapa às críticas: o país atravessa uma onda de violência após o assassínio de um dos líderes do crime organizado, a 23 de fevereiro.
Homens armados incendiaram carros e bloquearam autoestradas em mais de meia dúzia de estados na sequência imediata da notícia da sua morte.
A avaliação da Amnistia é devastadora para a FIFA.
“Este Mundial já não é o torneio de ‘risco médio’ que a FIFA julgou ser. É necessária uma acção urgente para garantir que a realidade corresponde à sua promessa”, disse Steve Cockburn, responsável da Amnistia Internacional para a área de justiça económica e social.
O relatório exige que “os governos anfitriões cumpram as suas obrigações ao abrigo do direito internacional dos direitos humanos, enquanto a FIFA, as federações nacionais e os patrocinadores têm responsabilidades claras de respeitar os direitos humanos e usar a sua influência significativa para proteger adeptos, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais.”
O Mundial arranca a 11 de junho no Estádio da Cidade do México, com a final agendada para 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jérsia.
FIM
Escrito por RafaFM
Amnistia Internacional considera que Mundial de 2026 se pode tornar palco para repressão
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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