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Delegado de Timor-Leste em Macau recomenda reforço de presença na Grande Baía da China

todayMarço 31, 2026 72

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Díli, 31 de março de 2026 – O delegado de Timor-Leste junto do Fórum Macau recomenda que Díli reforce a sua cooperação cultural com Macau e Hong Kong, com a abertura de consulados honorários numa das duas regiões, fortalecendo igualmente a cooperação com a Grande Baía.

António Ramos da Silva, delegado de Timor-Leste do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (conhecido como Fórum Macau), considera essencial ampliar o acompanhamento estratégico ao mercado da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.

As recomendações constam de um relatório elaborado pelo diplomata sobre o posicionamento de Timor-Leste face à ASEAN, a Hong Kong e à Grande Baía, e surgem num momento da formalização da adesão timorense à organização regional.

No relatório, a que a RAFA.tl teve acesso – e que foi já partilhado com a Presidência da República e o Governo – Ramos da Silva defende que as funções do Delegado de Timor-Leste no Fórum de Macau devem ser alargadas.

Em concreto, e além do acompanhamento tradicional das atividades do Fórum com os países de língua portuguesa, devem começar a abranger os novos desenvolvimentos do mercado da Grande Baía nas áreas comercial, cultural, tecnológica e de ligação à Lusofonia e à ASEAN.

O diplomata sublinha ainda a necessidade de Timor-Leste marcar presença nos principais hubs culturais da China – nomeadamente Macau, Hong Kong e Shenzhen – e de prestar maior atenção às plataformas que cada cidade oferece: financeira e logística em Hong Kong, tecnológica em Shenzhen, e turística e cultural em Macau.

O relatório parte da adesão histórica de Timor-Leste como 11.º membro pleno da ASEAN, concretizada a 26 de outubro de 2025, durante a 47.ª Cimeira da organização, realizada em Kuala Lumpur, na Malásia.

Para Ramos da Silva, a adesão “é mais do que um marco, uma plataforma para Timor-Leste comercializar, aprender e liderar”, num bloco que representa uma economia de 700 milhões de habitantes e que se tornou uma das regiões mais dinâmicas do mundo.

O diplomata recorda que a ASEAN assenta nos valores do respeito mútuo pela soberania, integridade territorial e não interferência nos assuntos internos dos Estados-membros, princípios consagrados no Tratado de Amizade e Cooperação de 1976.

Como 11.º membro, Timor-Leste contribui com a sua posição geoestratégica e o seu compromisso com a cooperação técnica e financeira, podendo desempenhar um papel ativo nos três pilares da comunidade – político-segurança, económico e sociocultural.

O relatório de Ramos da Silva destaca a importância crescente de Hong Kong como elo de ligação entre a ASEAN e a China continental.

A Região Administrativa Especial consolidou-se como segundo maior parceiro comercial da ASEAN, com o comércio de mercadorias a atingir níveis recordes de cerca de 1,29 biliões de dólares de Hong Kong em 2024, ao abrigo de um acordo de livre comércio em vigor desde 2017.

Hong Kong é igualmente o principal entreposto para empresas do Sudeste Asiático que procuram acesso ao mercado chinês e como centro de gestão de riqueza e serviços financeiros, atraindo cada vez mais capitais da região em detrimento de Singapura, em particular para estratégias focadas na China.

Neste contexto, Timor-Leste permanece sem qualquer representação consular nas duas Regiões Administrativas.

O relatório enquadra ainda as oportunidades timorenses no contexto mais amplo da iniciativa da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, cujas linhas gerais de planeamento foram publicadas em Fevereiro de 2019, com o objetivo de criar uma região metropolitana de nível mundial conectando nove cidades da província de Guangdong com as duas Regiões Administrativas Especiais.

A parceria comercial entre a China e a ASEAN é descrita por Ramos da Silva como “uma das mais dinâmicas do mundo”, impulsionada pela proximidade geográfica e por cadeias de abastecimento integradas, superando em volume de trocas diretas as relações da China com a União Europeia ou o Mercosul.

O relatório menciona igualmente a Fundação GX, que desenvolve atividade humanitária em dez países, incluindo no Vietname, no Camboja e em Timor-Leste, e cuja acção no espaço ASEAN merece acompanhamento atento por parte da delegação timorense.

FIM

Escrito por RafaFM

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