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Presidente CCI-TL admiti que investir em Timor-Leste não é fácil, pede apoio político ao setor privado

todayMarço 30, 2026 28

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MANATUTO, 30 de março de 2026 (RAFA.tl) – O Presidente da Câmara de Comércio e Industrial de Timor-Leste (CCI-TL) disse hoje que investir em Timor-Leste “não é fácil”, com baixa produtividade e custos elevados de produção, apelando ao apoio político do Governo para que os investimentos possam ter mais êxito.

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“Fazer negócios em Timor-Leste não é fácil. Já o disse muitas vezes: investir em Timor-Leste não é fácil. A produtividade ainda é muito baixa. Se trabalharmos oito horas e produzirmos apenas duas, não conseguiremos competir”, disse Jorge Serrano hoje em Manatuto.

“Temos pequenas indústrias, indústrias caseiras, tradicionais e convencionais; depois surgem indústrias modernas, com tecnologia. Mas o seu impacto ainda é limitado. Alguns dizem que o facto de usarmos o dólar, o custo elevado da eletricidade e os pesados processos portuários dificultam tudo para as empresas”, vincou.

Jorge Serrano falava em Manatuto na cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo Parque Industrial ETO, um investimento de entre 12 e 15 milhões de dólares que vai construir cinco unidades fabris.

Jorge Serrano saudou a aposta de Nilton Gusmão e da ETO no continuado desenvolvimento económico nacional, vincando que mais do que um investimento da empresa, “este é um investimento dos timorenses”.

“O negócio implica risco e retorno. O investimento empresarial envolve risco e receita. E o CEO Nilton demonstrou coragem, visão e consistência. Muitas vezes há visão, mas falta consistência e falta coragem. Ele mostrou as três coisas e concretizou este investimento”, afirmou.

Serrano disse que o

À comunidade e autoridades locais, Jorge Serrano disse que a população deve ser “o guardião deste investimento”, porque “este investimento é sério, envolve responsabilidade e um risco elevado”.

“Durante a construção haverá um forte efeito multiplicador: pessoas poderão vender pedra, vender comida, apoiar os trabalhadores, abrir pequenas lojas ou restaurantes. E, depois de a empresa entrar em funcionamento, a contribuição continuará”, disse.

“O impacto não será apenas para Manatuto, mas para o país. Tenho orgulho em ver o sector privado nacional começar a ganhar confiança para assumir responsabilidades e fazer investimentos sérios”, afirmou Serrano.

Jorge Serrano disse que não se pode olhar apenas para os investidores como tendo dinheiro sem se ver o risco e o sacrifício necessários “para ganhar confiança e concretizar um investimento” da dimensão do Parque Industrial ERRO.

“E quero dizer claramente: embora a empresa seja do senhor Nilton, os benefícios são de Manatuto e de todo o Timor-Leste. Porque, quando Timor-Leste entrar plenamente na ASEAN, precisaremos de criar a nossa própria marca”, afirmou.

“E, para que uma marca gere confiança, as pessoas têm de saber que o produto vem de Timor, que marca é, se cumpre requisitos de higiene e se tem certificação”, disse ainda.

O presidente da CCI-TL disse que é “indispensável” o apoio do Governo, sem o qual o “sector privado enfrentará sérios problemas e os produtos podem acabar parados nos armazéns sem escoamento”.

“Defendo que os timorenses têm de começar primeiro. Quando os estrangeiros virem que os próprios timorenses investem e produzem, terão confiança. Sempre defendi que devemos dar as boas-vindas aos investidores estrangeiros, porque precisamos deles; mas, dentro de casa, são os timorenses que devem segurar bem a economia nacional”, afirmou.

Serrano disse que o país precisa de investidores e de parcerias, mas que cabe aos timorenses começar, por si próprios, a mostrar vontade e coragem.

“Todos os timorenses devem começar por consumir os produtos que nós próprios produzimos no país, para que os outros ganhem confiança. Se continuarmos apenas a comprar bens vindos do exterior, investimentos destes terão dificuldades”, afirmou.

O projeto da ETO prevê a criação de entre 150 e 200 postos de trabalho, na fase de construção, e de entre 600 a 700 empregos diretos e cerca de 1.300 empregos indiretos na operação.

O projeto prevê a instalação de cinco unidades industriais, nomeadamente uma fábrica de produção de caixas, uma fábrica de produção de estruturas metálicas H-Beam, uma unidade de processamento de sardinha enlatada, um matadouro e indústria de processamento de carne, e uma fábrica de beneficiamento de arroz.

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Escrito por RafaFM

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