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Bahrein, um dos países mais afetados pela guerra contra o Irão, vê economia débil a ser agravada

todayMarço 26, 2026 28

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DÍLI, 26 de março de 2026 (RAFA.tl) – O Bahrein, o Estado mais pequeno do Golgo Pérsico, está a ser um dos países mais afetados pela guerra contra o Irão, com um agravamento significativo das condições económicas nacionais que já eram particularmente débeis.

A imprensa económica regional nota que mesmo antes do conflito o Bahrein – que alberga a principal base naval dos Estados Unidos na região – era já o mais endividado, o que detinha menos reservas de petróleo, e o que menos investiu na sua defesa antimíssil.

Uma conjuntura agravada pelo facto de o país ser um dos mais atacados pelo Irão, na sua retaliação contra os bombardeamentos iniciados pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro.

Logo na primeira noite de retaliação iraniana, a 28 de fevereiro, mísseis e drones atingiram vários edifícios em Manama, incluindo o bairro de Juffair, onde está instalada a sede da 5.ª Frota da Marinha norte-americana.

O ataque fez vítimas entre civis e militares, com detritos a atingir o hotel Crowne Plaza e a embaixada dos EUA a aconselhar os cidadãos americanos a evitar os hotéis da capital.

Desde essa data, o Bahrein tornou-se o terceiro país do Golfo mais atacado pela ofensiva iraniana, tendo intercetado 54 ataques de drones e mísseis nas primeiras semanas do conflito.

A 9 de Março, um enxame de drones iranianos atingiu a refinaria Bapco em Sitra, ferindo 32 civis – quatro deles crianças, incluindo um bebé de dois meses e uma adolescente de 17 anos com ferimentos graves na cabeça e nos olhos.

A refinaria de Sitra é o centro nevrálgico da indústria energética do país.

Tinha acabado de ser modernizada ao custo de 7,3 mil milhões de dólares, com a sua capacidade expandida para 405.000 barris por dia, tornando-se capaz de produzir gasóleo com baixo teor de enxofre e combustível de aviação para os mercados europeus e asiáticos.

A unidade mais valiosa desta modernização – o Residue Hydrocracking Unit, que só atingiu plena capacidade operacional em finais de 2025 – foi destruída no ataque.

Os ataques militares chegaram a uma economia já em estado crítico.

Em janeiro o FMI alertou, na sua revisão anual à economia do Bahrein, que a saúde fiscal do país “continuou a deteriorar-se” em 2024: o défice atingiu 11% do PIB e a dívida pública escalou para 134% do PIB, acima do pico registado na recessão de 2020.

“O Bahrein está definitivamente na posição fiscal mais fraca de todos os Estados do Golfo e enfrenta simultaneamente os ataques iranianos e receios de instabilidade interna”, afirmou o economista Justin Alexander, especialista no Conselho de Cooperação do Golfo.

Alexander não descarta que a guerra possa fornecer o pretexto para um novo resgate regional por parte da Arábia Saudita, do Kuwait e dos Emirados – como aconteceu em 2018 —, admitindo que “a guerra muda os cálculos”.

Para o Bahrein, os analistas alertam que o risco imediato não é tanto o colapso produtivo, mas a deterioração das condições de financiamento: com uma dívida pública desta dimensão, a confiança dos investidores pode evaporar-se mais depressa do que os próprios fundamentos económicos.

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Escrito por RafaFM

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