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Um trabalhador inspeciona um gerador de conversão de resíduos em energia na central de Putri Cempo, em Solo, Java Central. Foto: Antara
DÍLI, 26 de março de 2026 (RAFA.tl) – O Presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, ordenou esta semana a aceleração do programa nacional de conversão de resíduos em energia, durante uma reunião com o ministro do Investimento e o diretor da Danantara, o fundo soberano indonésio.
A imprensa indonésia refere que Prabowo reiterou o seu objetivo de resolver décadas de acumulação de resíduos urbanos sem tratamento adequado, transformando-os em energia elétrica nas principais cidades do arquipélago.
O programa, denominado PSEL (Pembangkit Listrik Tenaga Sampah ou Centrais Elétricas de Resíduos), prevê a construção de 34 unidades em municípios e regiões onde o volume diário de resíduos ultrapasse as 1.000 toneladas, como Jacarta, Surabaia e Bali.
O programa é considerado um dos 18 projetos estratégicos nacionais, com um investimento total previsto de cerca de 600 biliões de rupias – cerca de 35,8 mil milhões de dólares.
A componente mais polémica do programa é a sua execução. A Danantara selecionou as operadoras para as primeiras instalações a partir de um universo de mais de 200 candidatos estrangeiros, dos quais 24 foram selecionados para uma lista mais reduzida que inclui empresas da China, do Japão e da França.
A primeira ronda de concurso, centrada nas cidades de Bekasi, Denpasar, Bogor e Yogyakarta, foi largamente dominada por investidores chineses.
A Wangneng Environment foi selecionada para operar a central de Bekasi, enquanto a Zhejiang Weiming Environment Protection ficou responsável pela instalação de Denpasar, em Bali – e posteriormente também pela de Bogor. Ambas as empresas são obrigadas a realizar transferência de tecnologia e a estabelecer consórcio com parceiros locais, incluindo empresas privadas e empresas públicas indonésias.
A inauguração das obras está prevista para o período entre abril e junho de 2026, com conclusão operacional esperada ainda neste ano.
A predominância chinesa nos concursos acendeu um debate sobre soberania tecnológica. A adjudicação dos projetos de Bekasi e Denpasar a empresas chinesas desencadeou críticas sobre a dependência tecnológica de longo prazo e os riscos fiscais associados às garantias de taxa de serviço embutidas nos contratos.
A Danantara abriu, entretanto, uma segunda ronda de candidaturas, invocando o desejo de alargar a participação de empresas nacionais e internacionais no desenvolvimento de infraestruturas modernas de gestão de resíduos.
A urgência do programa é compreensível quando se olha para os números.
A zona de grande Jacarta e as suas cidades satélite geram cerca de 14.000 toneladas de resíduos por dia, e os aterros da região estão todos perto de ficar ou já totalmente esgotados – só o aterro de Bantargebang acumula sozinho cerca de 55 milhões de toneladas de lixo.
O Ministro do Ambiente, Hanif Faisol Nurofiq, anunciou que a percentagem de aterros que praticam deposição a céu aberto caiu de 90% para 66%, mas reconheceu que apesar da lei proibir esta prática desde 2013, o cumprimento efetivo só começou a ser exigido em 2026.
O decreto presidencial sobre o tema estabelece um enquadramento financeiro que garante às autarquias a possibilidade de vender a eletricidade gerada à empresa pública PLN a uma tarifa fixa de 0,20 dólares por kWh durante 30 anos, desde que assegurem um fornecimento mínimo de 1.000 toneladas de resíduos por dia e disponibilizem terreno adequado para as instalações.
O programa enfrenta um calendário considerado por analistas como extremamente ambicioso. A construção deverá arrancar no terceiro trimestre de 2026, com todas as instalações previstas para conclusão no quarto trimestre de 2027.
A organização ambiental Walhi manifestou-se contra o ritmo de implementação, alertando que a abordagem não resolve as causas estruturais da crise de resíduos na Indonésia, nomeadamente a ausência de infraestruturas de triagem e reciclagem à escala necessária.
Prabowo, porém, mantém a aposta: o Governo quer que os resíduos há muito sem tratamento adequado nas regiões sejam rapidamente limpos, eliminados e convertidos em energia, sobretudo eletricidade – num modelo que, nas suas palavras, resolve simultaneamente o problema ambiental, reforça a resiliência energética nacional e abre novas oportunidades económicas.
FIM
Escrito por RafaFM
Indonésia acelera plano de 34 centrais de conversão de resíduos para energia
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