Destaques

Pelican Paradise diz que não foi informada sobre cancelamento, reafirma compromisso com investimento

todayMarço 24, 2026 92 1 5

Fundo
share close

DÍLI, 24 de março de 2026 (RAFA.tl) – Responsáveis da Pelican Paradise, que pretende desenvolver um projeto de grande envergadura na zona ocidental de Díli, disseram hoje que a empresa não foi informada pelo Governo da sua intenção de cancelamento, reafirmando o seu compromisso com o investimento.

“Ficamos muito surpreendidos com as notícias, porque não houve qualquer comunicação oficial sobre isto. Foi a primeira vez que ouvimos sobre isto e continuamos a tentar e a trabalhar para que o projeto possa continuar e avançar”, disse à Rafa.tl Samuel Ong, diretor da Pelican Paradise.

Ong reagia a declarações proferidas na segunda-feira pelo vice-primeiro-ministro e ministro coordenador dos Assuntos Económicos, Francisco Kalbuadi Lay, que disse aos jornalistas que o Governo vai cancelar o projeto.

“Relativamente ao projeto de investimento Pelican Paradise, o Governo está a par do assunto. O ministro da Justiça Sergio Hornai e eu próprio chegamos a uma decisão, depois de coordenação e de revisão de vários aspetos”, disse o vice-primeiro-ministro à margem da apresentação no relatório anual do Banco Central de Timor-Leste.

“Regarding the Pelican Paradise investment project, the government is aware of the issue. Justice Minister Sergio Hornai and I have reached a decision through coordination after reviewing various aspects,” Lay said during a discussion with the private sector on the sidelines of the launch of the Timor-Leste Economic Performance Report 2025 at the Dili Convention Center, Monday.

O responsável timorense disse que a empresa se tinha comprometido a implementar o projeto, mas que não conseguiu avançar em 15 anos.

“Por isso vamos cancelar. É uma decisão, auscultei o primeiro-ministro e ele aprovou”, referiu.

Em entrevista telefónica com a Rafa.tl, Ong disse que é importante perceber os entraves que têm ocorrido com o projeto, afirmando que o Governo não cumprir com os seus compromissos, tal como definidos no Acordo Especial de Investimento, assinado em 2008.

“Temos de recuar ao AEI, que define um conjunto de pré-condições para o Governo cumprir antes de podermos iniciar o trabalho. Isso inclui terrenos livres de ocupantes, e água e eletricidade suficiente para construção e operações”, disse.

“Isso não foi cumprido. Tivemos múltiplas reuniões do a BTL e a EDTL, mas continuamos sem ter acesso a esta água e eletricidade. São infraestruturas básicas para que possamos construir”, sublinhou.

Ong disse que tanto a eletricidade como a água estão fora do terreno atribuído ao investimento, e que a Pelican Paradise não pode resolver sozinha.

“Nunca tivemos oficialmente do Governo qualquer explicação formal, verbal ou escrita, sobre porque é que essas infraestruturas não nos foram dadas”, referiu Ong, afirmando que as declarações do Governo causaram “consternação”.

O responsável da empresa disse que desde o início de operações, a despesa total já ultrapassou os 10 milhões de dólares, vincando que a Pelican Paradise quer continuar a colaborar com o Governo e a fazer o projeto avançar.

“Estamos consternado que o Governo tenha decidido ir por este caminho. O único que podemos fazer é continuar a tentar para que possamos avançar. Estamos a ter um debate interno sobre o que fazer a seguir”, referiu.

“O nosso objetivo é criar empregos, desenvolver o país. Temos 18 anos de documentação que prova que temos tentado todo o possível. Viemos com boas intenções, e vamos continuar a trabalhar assim”, disse, afirmando pretender responder a meias-verdades, factos incompletos ou falsos sobre o projeto.

O ambicioso projeto previa um investimento total de 700 milhões de dólares, e a criação de 1.500 empregos na construção e 1.300 na operação.

Em causa estava uma área de 556 hectares na zona de Tibar, englobando um hotel de cinco estrelas com instalações para conferências, um centro de desenvolvimento juvenil, uma escola internacional, um hospital internacional, um campo de golfe de 18 buracos de nível de campeonato, um centro comercial e unidades residenciais.

Em junho de 2025, o ministro do Planeamento Estratégico e Investimento, Gastão Sousa, disse que o projeto estava a avançar “muito lentamente” e que o Governo estava a discutir os próximos passos, incluindo a revisão dos contratos já assinados, através de um grupo interministerial que envolvia os ministérios da Justiça, Finanças, Obras Públicas, Planeamento Estratégico e Investimento, e a Secretaria de Estado para a Terra e Propriedade.

O ponto de rutura surgiu com uma exigência financeira que o Governo recusou satisfazer.

Em janeiro de 2025, Samuel Ong, exigiu um depósito de 180 milhões de dólares por parte do Governo timorense para garantir o fornecimento de água, eletricidade e licenças de construção, com uma taxa de juro anual de 4%, reembolsável no final da fase 1 do desenvolvimento.

FIM

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!